Bom, essa está sendo a terceira empresa em seis meses. Não sei o que acontece, sou uma ótima profissional e acima de tudo, extremamente comunicativa. Deve ser inveja das pessoas…
Olha minha cabeça, me desculpem, esqueci de me apresentar, meu nome é Mária Dalábia, e sou secretária executiva. Escolhi essa profissão porque secretária sempre está por dentro de tudo, e sinceramente eu a-do-ro saber das novidades!
Meu currículo é extenso, já passei por várias empresas. E vou te contar, já fiquei sabendo de cada babado. Acho que meu problema é esse, sou espontanea demais, e extremamente comunicativa, já disse isso?
Me confundem com fofoqueira, olha que absurdo! Na verdade, são as pessoas que se aproveitam de mim, tornam-se minhas amigas porque eu sei de tudo.
E veja, eu acabo confinado nelas… Se bem que eu peço: “olha não conta pra ninguém, pois vai prejudicar fulano…” mas não tem jeito. Quando me dou conta, só contei para cinco pessoas e a empresa inteira já está sabendo. Sempre digo, não existem mais pessoas que sabem guardar segredo.
Gosto de elogiar, eu elogio todo mundo. É uma maneira das pessoas gostarem de mim. Dizem que isso é uma tática para identificar os linguarudos. Eles adoram puxar o saco na frente das pessoas e depois falam pelas costas, e sempre gostam de falar direto para o chefe. Então esse não é o meu problema, eu falo para todo mundo, menos para o chefe. Se ele fica sabendo, não é por mim.
Sabe aquela brincadeira do telefone sem fio? Parece que sempre sou a última a ouvir a história. Entendo mal tudo o que me contam. Não é por maldade, é porque sou muito criativa, afinal toda história precisa de um clímax para ficar interessante, você não acha? Eu odeio contar história sem graça. Por exemplo, pra mim toda a separação envolve traição, e de preferencia, com algum colega de trabalho.
Isso é outra coisa que dizem, o fofoqueiro tem baixa autoestima. Situação na qual eu também não me enquadro. Tenho 43 anos, sou livre, leve e solta, moro com minha mãe e odeio sair. Sou realizada emocionalmente, não preciso de homens. Já até tentei, mas ele me abandonou logo depois que contei para os vizinhos que a mãe, presidente do bairro, era alcoolotra.
Estou nessa empresa há 3 meses. Minha mãe está rezando em casa, talvez seja por isso que bati meu recorde de tempo de serviço. Mas me sinto sozinha. Depois que eu contei sobre a doença da Dona Jacira, do cafezinho, ninguém me fala mais sobre assuntos particulares. Se eu conto algo, ninguém se interessa… Pessoal estranho! Eles não me tratam mal, pelo contrário, todo mundo aqui é muito bem educado. Mas eles nem se separam em grupinhos! É, acho que agora vou ter que começar a mostrar mais serviço já que ninguém me dá ouvidos… talvez assim eu também seja notada…









