
“Quero entrar no mercado de trabalho, mas não sei o que fazer. Sempre fui dona de casa!”
Esta é uma situação que encontro freqüentemente. Mulheres que estão procurando iniciar sua vida profissional ou retomar ao mercado de trabalho e sentem-se perdidas. Veremos aqui alguns pontos que ajudarão a encontrar uma saída.
Historicamente a Mulher sempre teve muitas lutas para se inserir no mercado de trabalho. A partir da consolidação do Capitalismo no século XIX algumas leis começaram a beneficiar as Mulheres. Mesmo com a garantia desses benefícios a exploração continuou a existir. Muita coisa mudou com a I e II guerras Mundiais quando as Mulheres tiveram que assumir a posição dos homens no mercado de trabalho.
Conforme as estatísticas, existem hoje no mundo muito mais mulheres do que homens. Isso significa que a concorrência entre os homens é menor, logo conseguem trabalho com mais facilidade. Como são mais disputados pelo mercado seus rendimentos crescem significativamente.
Por outro lado, a concorrência entre as mulheres é maior, pois há mais mulheres disputando uma mesma vaga, e isto para o mercado significa que pode pagar menos pois há muita mulher à disposição dele. Lei da oferta e da procura! Por tanto as estatísticas não mostram um cenário fácil para nós. Ponto a favor dos homens!
Então é de se pensar que se nossa mão-de-obra, por ser mais barata e mais disponível seria fácil achar trabalho tendo em vista que o mercado sempre busca o menor preço. Então, porque mesmo assim o egresso ao mercado de trabalho ainda é difícil para a mulher? O que se deve fazer?
Para exemplificar vejamos a história de Madalena, uma pessoa que conheci em minhas atividades como consultora. Uma Mulher como muitas que tenho encontrado no dia-a-dia.
Madalena casou teve filhos e nunca exerceu outra função senão a cuidar de sua família. Agora, devido a problemas financeiros teve que tomar a decisão entrar no mercado de trabalho. Mas não foi fácil como ela imaginou. Os problemas encontrados:
Primeiro, não tinha experiência de trabalho anterior. Muitas mulheres se vêem diante do mercado com a mesma dificuldade ou uma tiveram uma experiência formal de trabalho ou estão a um longo período fora de atividade;
Segundo, Madalena não tinha nenhuma qualificação, não terminou os estudos. Não fez nenhum curso de capacitação profissional;
Terceiro, e não menos importante Madalena não tinha a menor idéia de por onde começar, o que fazer.
Como se vê, uma avaliação inicial torna a necessidade de trabalho um pesadelo para Madalena. Algo quase impossível. Quase. Nem tudo está perdido, embora realmente não seja uma tarefa simples e fácil.
Mas antes é preciso inverter a ordem de análise da lista de problemas.
Primeiro: Por onde começar?
Pegando o caso de Madalena é natural imaginarmos que ela não sabe fazer nada. Mas não é bem assim. Ao contrario, como do lar aprendeu a ser educadora, cozinheira, organizadora, e mesmo negociadora. Já são quatro áreas de atuação profissional. E, diga-se de passagem, áreas muito buscadas no mercado de trabalho.
Segundo: Capacitação
Mas é claro que as quatro áreas identificadas são apenas pontos de partida. São importantes para que Madalena tenha condições de nortear sua jornada para entrar no mercado. Mas Madalena precisa de lapidação. Então devemos pensar que para exercer qualquer dessas funções é necessária qualificação. Quando buscamos nos capacitar passamos a evidenciar qual a área que realmente interessa. Se Madalena iniciar cursos de capacitação nas áreas poderá descobrir se seu ponto forte é a culinária, por exmeplo, ou a organização de ambientes. O importante é que somente quando buscamos nos aperfeiçoar em algo é que saberemos se aquilo realmente nos fará feliz profissionalmente ou não. Através da capacitação poderia se identificar-se com uma das áreas identificadas.
Terceiro: Experiência
A experiência em qualquer função é ponto fundamental para a escolha de um funcionário. Mas não é só o que conta. Existe muita gente boa no mercado, com muita experiência, mas que não consegue emprego porque não tem a capacitação formal exigida. Aí entram os que, com pouca ou nenhuma experiência, conseguem emprego porque possuem a certificação. Então, não se pode perder a oportunidade de se capacitar seja com cursos de faculdade ou mesmo cursos livres de capacitação, como os oferecidos por escolas especializadas em cursos técnicos on line, ou cursos presenciais como os oferecidos pelo sistema S - Sesc, Senac, Senai. Se você tem oportunidade, ainda que “apenas” exerça as funções do lar, capacite-se.
Todos têm um magnetismo pessoal muito grande, mas, em especial, as mulheres foram generosamente providas. E se soubermos que carreira queremos seguir, o que sabemos fazer, teremos um caminho profissional promissor.
A verdade é que as mulheres, de modo geral, ainda dedicam muito pouca atenção a identificar o que eu sabem fazer ou com o que realmente se identificam profissionalmente. Mas não dá pra se projetar ao trabalho sem definir aonde se quer chegar. Precisamos realmente nos conhecer. Este é o começo e deve ser feito com muito planejamento. As empresas não estão mais procurando pessoas que trabalham só por que precisam trabalhar, mas aquelas que realmente exerçam sua função com competência, comprometimento, criatividade. Só assim sua carreira estará sendo projetada e o universo estará conspirando a seu favor.
Apesar de todos os índices de desemprego, abrimos jornais e ouvimos na TV todos os dias um auto índice de vagas.
Mulheres, nada de síndrome de coitadinhas. Nada de “nada sei”. Cabeça erguida e seguir em frente!









